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E quando a ansiedade surge “do nada”? Saiba por que isso acontece e o que você deve fazer

É sábado à noite e você está em casa, sentado(a) no sofá, assistindo um desenho animado com seu filho.

Uma situação tranquila. Nada de ameaças ou perigos.

Porém, sem motivo aparente, você começa a sentir palpitações, suas mãos começam a suar e ficam trêmulas, sua visão fica embaçada. Típicas sensações físicas provocadas pela ansiedade.

Você então começa a se perguntar o que há de errado, já que não existem razões para o que está ocorrendo.

Porém, existem sim.

Os sintomas de ansiedade podem ser produzidos de diferentes formas, não apenas em virtude de situações que envolvem perigo aparente.

Neste artigo, trago quatro explicações para esta ansiedade que parece ter vida própria e surgir “do nada”, como uma visita inesperada de final de semana.

No caso da visita, digamos que ela chegue para jantar e você não esteja preparado (a), é possível que você telefone para uma tele-entrega, vá ao supermercado ou simplesmente a convide para jantar fora. E no caso da ansiedade? O que você faz?

Antes de iniciar as explicações, faço uma ressalva: para que se possa pensar na hipótese de se tratar de sintomas de ansiedade, é preciso que causas físicas tenham sido descartadas inicialmente. Portanto, a realização de exames médicos é fundamental!

Caso não exista nenhum problema físico, consideraremos a possibilidade de você estar com sintomas de ansiedade.

Então, vamos às quatro explicações!

Explicação 1

# Explicação 1: Você está passando por uma fase de estresse em sua vida.

Aqui, estou me referindo a qualquer situação que para você esteja causando estresse.

Independentemente de as outras pessoas lhe dizerem: “Ah, mas isso não é nada, não dê bola, vai passar!”, aquilo está ultrapassando a sua capacidade de enfrentamento, portanto, está lhe causando estresse.

Ou seja, a situação pode ser desde um acúmulo de trabalho que esteja tirando seu sono, até o seu pé machucado que o esteja impedindo de realizar seus exercícios físicos prediletos.

A questão é que quando você está enfrentando um momento de estresse, seu corpo produz maior quantidade de algumas substâncias químicas, como por exemplo, a adrenalina.

Pois bem… Assim como uma visita inconveniente que não se flagra sobre a hora de ir embora, estas substâncias levam algum tempo para serem destruídas no organismo.

Assim, mesmo que você não esteja mais exposto (a) diretamente à situação estressante, você ainda pode se sentir alerta e apreensivo (a), pois a adrenalina ainda está “vagando” pelo seu corpo, produzindo sintomas de ansiedade.

O que fazer?

Apenas espere!

Após um tempo, seu corpo vai se cansar deste estado de alerta e naturalmente ativará o sistema nervoso parassimpático, responsável por fazer com que o organismo volte ao seu estado natural, relaxando-o.

Portanto, não lute contra estas sensações, mas sim, entenda que elas diminuirão com o passar do tempo.

Explicação 2

# Explicação 2: Você desenvolveu o hábito de respirar rápido.

Se você é como a maioria das pessoas que, preocupadas com suas responsabilidades ligadas ao conforto e à sobrevivência, se obriga a estar alerta durante boa parte do dia, é possível que você tenha aprendido a respirar rápido.

Sem perceber, você está ocasionando o que se chama de hiperventilação: um ritmo respiratório acelerado e superficial que produz variações na quantidade de oxigênio em certas partes do corpo.

Esta forma de respirar pode ser ocasionada por fatores não tão conscientes, como pensamentos, emoções, estresse e cansaço.

Você pode estar se perguntando: mas como eu nunca percebi que faço isso?

A hiperventilação não é fácil de ser percebida pela pessoa que a realiza, pois é muito sutil. Não é algo que se identifica a quilômetros de distância. Muitas vezes, apenas com muito treino é possível perceber.

Porém, a variação nas taxas de oxigênio ocasionada por ela pode produzir uma variedade de sintomas tais como:

  • tonteira;
  • sensação de vazio na cabeça;
  • falta de ar;
  • aumento dos batimentos cardíacos;
  • mãos frias e suadas;
  • dormências e formigamentos nas extremidades.

E veja só: estes sintomas são similares aos sentidos por uma pessoa que está diante de uma situação de perigo!

O que fazer?

 Existem dois pontos importantes aqui:

1) Fique tranquilo, pois a hiperventilação em si não oferece risco.

Ela apenas faz parte de uma reação de luta e fuga e sua função é de proteger seu corpo de qualquer perigo.

2) Comece a mudar seus hábitos respiratórios. Como?

Sugiro que experimente a seguinte técnica:

  • Respire de forma tranquila, inspirando pelo nariz e contando até três; prenda um pouco a respiração e solte o ar de forma longa e suave pela boca, contando até seis;
  • Ao inspirar, faça o ar chegar até o abdômen, estufando-o como se estivesse enchendo um balão. Ao expirar, encolha o abdômen como se esvaziasse o balão;
  • Repita todo o ciclo durante dois a três minutos e observe as mudanças em seu corpo.

Quanto mais você praticar, mais benefícios sentirá!

Explicação 3

# Explicação 3: Você está mais sensível aos sintomas de ansiedade.

Aqui, a questão é a seguinte: digamos que um dia você tenha subido no alto de um prédio e manifestado sintomas como taquicardia, tremores, sudorese e falta de ar.

Até aí, tudo certo. Porém, ao invés de reagir naturalmente e esperar os sintomas diminuírem, você se assustou e os sintomas se intensificaram.

É possível que neste momento tenha ocorrido o que se chama de condicionamento interoceptivo: sintomas físicos que até então eram naturais para você ficaram associados àquela ansiedade elevada e se tornaram sinais de ameaça para você.

Com isso, você se torna (involuntariamente) cada vez mais atento a estes sintomas físicos.

Cada vez que eles voltam a aparecer, é como se soasse uma sirene dentro de você, acompanhada de uma luz piscante e um som bem alto de alguém gritando: p-e-r-i-g-o!

Porém, a grande questão é que estes sintomas podem surgir em seu dia a dia diante de atividades rotineiras, como correr, caminhar mais rápido ou fazer movimentos bruscos.

Pronto! Cenário preparado para que simples alterações no organismo se transformem em sinais de alerta e disparem sintomas de ansiedade.

Percebe como sua mente transformou algo inofensivo em algo perigoso?

O que fazer?

Quando seu corpo começar a manifestar sintomas que o façam acionar alertas de perigo, pare e apenas observe.

Você não precisa saber por que os sintomas começaram.

Você apenas precisa se conscientizar de que eles são reações naturais de seu organismo e não causam nenhum dano.

Ao compreender que estas sensações físicas não são perigosas, o medo tende a desaparecer e os incômodos ataques de ansiedade aguda não farão mais parte de sua rotina.

Explicação 4

# Explicação 4: Seu corpo está passando por mudanças naturais.

Aqui, entra um último ponto. Simples. Porém, nem sempre fácil de aceitar.

Parece que vivemos em uma era em que tudo deve estar sempre perfeito, funcionando da melhor forma e, se não for assim, deve haver algo errado.

Calma! Seu corpo está longe de ser um objeto que se mantém intacto diante de influências internas e externas.

Assim, existem momentos em que você pode experimentar mudanças naturais em seu corpo, como aquelas causadas por variações hormonais ou por algum tipo de alimentação.

Um exemplo disso ocorre quando você ingere café, alguns tipos de chás ou refrigerantes à base de cola, que por conterem cafeína, podem acelerar os batimentos cardíacos.

O que fazer?

Aceite estas manifestações corporais como um processo natural. Desista de ficar constantemente se monitorando.

A partir do momento em que você começa a permitir que seu organismo manifeste estas sensações sem interpretá-las como sinal de perigo, elas naturalmente diminuem sua intensidade.

Resumindo

Resumindo…

Não é preciso existir um motivo explícito ou uma situação de perigo para ativar as sensações de ansiedade.

A boa notícia é que assim como ela surge “do nada”, ela também poderá ir embora “do nada” se você não transformá-la em catástrofe.

Então, se sua ansiedade começar a surgir sem que você encontre uma explicação, lembre-se de que pode estar ocorrendo uma das seguintes situações:

  • Você está passando por uma fase de estresse em sua vida;
  • Você desenvolveu o hábito de respirar rápido;
  • Você está mais sensível aos sintomas de ansiedade;
  • Seu corpo está passando por mudanças naturais.

Estas quatro explicações apresentam um ponto em comum que é sempre importante de ser ressaltado: quanto mais você compreender como a ansiedade funciona em seu organismo, mais poderá se libertar de sua tirania.

Natália Rigatti

Psicóloga (CRP 07/20324), apaixonada por esportes e alimentação saudável, praticante de corrida de rua e defensora da busca pelo bem-estar e qualidade de vida das pessoas. Em 2012 iniciou o trabalho na Clínica com psicoterapia individual, e em 2013 tornou-se Especialista em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.